6 de Julho de 2009

Registro de Passagem

"... até que você seja libertada de todos os tormentos."
Atiq Rahimi

Coração, bomba pedindo explosão:
O meu amor nasceu no Afeganistão.

20 de Junho de 2009

Pressa faminta

Numa ânsia fatal e incontrolável,
engoliu o sapo antes deste transformar-se em príncipe.

13 de Junho de 2009

Reconheço

Reconheço minha casa no tatear das nuvens dentro dos desenhos que descubro nessas paredes velhas, pintadas de cenas passadas. Reconheço aquele ar. Reconheço farsas. Reconheço para finalmente datar o que sempre existiu sem começar. Reconheço um seguir, sem farois, pelo som nascido de tanto desejo. Reconheço a procura em achar o que obviamente é de perda, uma fenda eleita para escapar. Reconheço porque ainda é amar e amanheço a mesma profecia.

31 de Maio de 2009

Até em verso

E eu te vi pela última vez,
o último segundo da vista,
dos meus olhos,
o teu semblante.

E sobro-me:

Agora eu despeço de mim.

20 de Maio de 2009

Poesia Noturna

Minhas noites mal dormidas com o teu nome, rimas.

16 de Maio de 2009

Resta-me fechar os olhos

"No escuro e vendo,
No escuro e vendo"
(Arnaldo Antunes)

Meu peito vestido de vermelho, todo paixão, estruturou meus braços para garantir um abraço entrelaçado, aquele teu guardado sob as minhas medidas. Você garantiu-me passeios, mãos gerando calor, a cama dividida; um universo de suspiros, alívios e devoção. Então, enfeitei esta composição e estampei raros perfumes, tantas harmonias. Todas as ações conjugadas, primeira pessoa urgente. E reconheci, enfim, as palavras saídas com o teu sotaque e plantei flores rodoviárias.
Foi quando mirei o que estava acima dos meus faróis, um ar sem portões. Vi-me sem concordar tantos predicativos – os passeios e meus sorrisos, as mãos – minha e tua -, a cama e a vida inteira unidas. Limpa, nua, tua. Mas – e não é? – o querer só vale-se dos contratos e sobrenomes, os tais endereços... E, visto que não inaugurei nascimentos, outras presenças não cabiam.

Como já não caibo mais agora.
Ou eu não era, não fui. Não devo ser. Não serei, certo, pra você. E aí resta-me fechar os olhos: ao sorrir no escuro tateio as distâncias exatas e contadas. E encontro-me.

16 de Abril de 2009

Suspiro imagens sonoras

Eu crio sonho num suspiro:
Imagino filme, senhor amor, título de livro.
Me faço em laço um compasso e caso
Num gesto em verbo, infinito.


(estalo/instante/parado/uso)

E me desfaz a fantasia a meia palavra
Meio dia, eu viro escrava.
Vou afundando a realidade sem fundo -
Tom e meio teu, avesso o mundo.

(ponta/vasto/encanto/tudo)

Eu crio sonho num suspiro:
O mesmo, outro.